30/11/2016

Estimativa Preliminar do Valor da Produção Agropecuária Paulista em 2016

fonte: IEA O Valor da Produção Agropecuária (VPA) constitui-se em importante parâmetro para o acompanhamento da performance econômica das principais atividades do setor e, portanto, de grande utilidade para tomada de decisões por parte dos diversos segmentos das cadeias produtivas, bem como pelo Governo, no desenvolvimento e implantação de políticas públicas. O Instituto de Economia Agrícola (IEA) estima regularmente o VPA paulista a partir da seleção de 53 produtos da agropecuária paulista. Para tanto são utilizados os dados de produção vegetal e animal dos Levantamentos por Municípios de Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, para os anos agrícolas, realizados cinco vezes por ano, pelo IEA e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado1. Os preços dos produtos agropecuários foram[A1] obtidos do Banco de Dados do IEA2. Os de produtos olerícolas e frutas, com exceção de batata, cebola, mandioca para mesa e tomate e os da banana, laranja, limão e tangerina, obtidos junto à Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP)3, ponderados por variedades para cada espécie e decompostos a partir dos preços de venda do atacado. Os preços dos produtos florestais foram obtidos em Mercados Florestais e os de produção junto a fontes primárias de entidades do setor 4. Para o cálculo do VPA de 2015 foram utilizados os preços médios mensais correntes recebidos pelos produtores de janeiro a dezembro de 2015 e para a estimativa preliminar do VPA de 2016, os do período de janeiro a agosto de 2016, atualizados segundo a inflação projetada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência agosto, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), situado em 8,95%5. Os produtos analisados, conforme suas peculiaridades, foram classificados em seis grupos: produtos para indústria; produtos animais; frutas frescas; grãos e fibras; olerícolas e produtos florestais. O cálculo das variações do VPA de 2016 relativamente a 2015 foi efetuado com base em índices de preços e de quantidades, elaborados pela fórmula de Fisher (base 2015 = 100) para os produtos considerados6. O Valor da Produção Agropecuária (VPA), que mede o faturamento da atividade “dentro da porteira”, está estimado preliminarmente, em 2016, com aumento de 21,02% em relação ao ano passado e, portanto, totalizando, em termos correntes, R$76,5 bilhões, incluindo o grupo de produtos florestais. Este resultado é reflexo principalmente do aumento de preços verificados em todos os grupos de produtos analisados (17,13%), em especial de grãos e fibras (43,16%) e olerícolas (28,12%). O crescimento da produção influen­ciou também, mas de forma mais modesta (3,33%), com exceção do grupo produtos animais que praticamente manteve o mesmo nível, todos os outros apresentaram leve crescimento (Tabela 1). Em valores reais, a estimativa do VPA paulista para 2016 ainda resulta em um crescimento de 10,2% (Tabela 1). A estimativa preliminar para o grupo de produtos animais, neste ano, deve apresentar crescimento da ordem de 9,64%, em relação ao ano passado, e poderá atingir R$18,9 bilhões, com destaque para o incremento do VPA de leite (34,07%) e do de ovos (33,40%), causado pelos ganhos nos preços médios recebidos, para ambos os produtos. Os resultados preliminares para o valor da produção dos produtos florestais, em São Paulo, deve atingir R$3,0 bilhões, total superior aos R$2,7 bilhões de 2015. Apesar de registrar aumento ao redor de 11,0% no seu VPA em relação a 2015, o setor florestal perdeu participação no total paulista, caindo 0,35 ponto percentual. Entretanto é por conta dos ganhos em 13,20% do VPA da madeira de eucalipto que justifica os números ora obtidos. Responsável por 45,03% do faturamento do setor agropecuário, o VPA de produtos para indústria totalizou R$34,5 bilhões, aumento ao redor de 20,0%, comparativamente a 2015. Embora a cana-de-açúcar represente 35,42% deste total, os ganhos obtidos foram por conta dos acréscimos vultosos do VPA de outros produtos que compõem esse grupo. O VPA da laranja para indústria que representa próximo a 5,0% do total estadual apresentou ganhos de 56,56% por conta principalmente do acréscimo nos preços médios recebidos pelos citricultores (57,31%), já que a produção teve um leve declínio (0,48%). O VPA da mandioca para indústria que participa no total estadual em 0,37%, elevou-se em 66,01%, visto que os 88,64% a mais nos preços médios recebidos mais que compensaram a queda de 12,00% da produção. O VPA do café beneficiado, que participa com 3,66% do total estadual, aumentou 53,76% a mais que o VPA do ano anterior, por causa dos ganhos de 45,03% na produção. Tanto que se não computar o VPA da cana-de-açúcar, a elevação do VPA do grupo dos produtos para indústria apresenta um aumento de 52,17%. O grupo constituído pelos grãos e fibras apresenta a maior variação do VPA (57,15%). O VPA individualmente apresenta variação, para a maioria dos produtos, acima de 30,0% (soja 38,87%) chegando a 128,85%, no caso do feijão; para todos, os preços médios recebidos são os causadores dessas valorações. Além de adversidades climáticas que reduziram a oferta, caso do feijão em algumas das principais regiões do país, inclusive em São Paulo, o milho, principalmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, também teve sua produção reduzida, e consequente elevação de seus preços, lembrando que parte da demanda paulista desse produto, assim como a de feijão, é suprida por importações de outros estados. Os níveis da taxa de câmbio vigentes no período ainda favoreceram as exportações, notadamente de milho e soja o que também contribuiu para a elevação dos preços. O grupo de frutas frescas, composto por 15 produtos, apresenta ganhos de 22,06% no VPA, em relação a 2015, com destaque para a uva de mesa (78,59%) e morango (132,93%), resultados justificados para ambos por conta dos acentuados ganhos na produção, principalmente. Já para as culturas como banana, limão e laranja de mesa, são os preços que contribuíram para os aumentos do VPA, relativamente a 2015. O VPA para o grupo dos produtos olerícolas cresceu 33,85% em 2016, totalizando R$4,9 bilhões, representando 6,4% do total paulista. Dos 12 produtos que formam o grupo, apenas o VPA de tomate de mesa e de abóbora decresceram, respectivamente 1,43% e 2,98%. Para as demais olerícolas, há ganhos marcantes para batata (60,92%), beterraba (63,38%), batata-doce (94,89%), repolho (68,13%), abobrinha (120,66%) e pimentão (39,69), valores justificados exclusivamente pelos altos preços médios recebidos pelos produtores, visto que as condições climáticas ocorridas em 2016 não foram alvissareiras, em especial para essas culturas. Tendo em vista a importância da cana-de-açúcar no estado, que participa com 35,42%, ao separar esse produto, o VPA totaliza R$49,43 bilhões, superior ao ocorrido em 2015 em 25,6%. Do conjunto de 53 atividades agrícolas, incluindo as florestais, a estimativa preliminar dos Valor da Produção Agropecuária Paulista de 2016 apresenta 41 delas com ganhos de faturamento, quando comparada a 2015. Contudo 16 produtos apresentaram crescimento superior a 50%, distribuídos entre os grupos de grãos (6 produtos), de olerícolas (5 produtos), para indústria (3 produtos) e de frutas (2 produtos). Em geral, os ganhos foram provocados pelo aumento dos preços médios recebidos pelos produtores, em vista das adversidades climáticas que reduziram a oferta dos produtos, com exceção do café beneficiado e das frutas: uva de mesa e morango. _________________________________________________ 1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Previsão de safras. São Paulo: IEA. Disponível em: . Acesso em: out. 2016. 2______. Banco de dados. São Paulo: IEA. Disponível em: . Acesso em: set. 2016. 3COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Banco de dados. São Paulo: CEAGESP. Disponível em: . Acesso em: set. 2016. 4INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Mercados florestais. Disponível em: . Acesso em: out. 2016. 5INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Índices Nacionais de Preços ao Consumidor IPCA - 15. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: . Acesso em: set. 2016. 6HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991. 42 p.