02/12/2016

Morte de insetos põe agricultura em risco e pode custar bilhões ao Brasil

fonte: rede SBS dia a dia A população de abelhas e outros insetos polinizadores está diminuindo em todo o mundo, o que faz cientistas correrem para calcular o impacto na agricultura e de propor possíveis soluções. Segundo as contas feitas por pesquisadores de Minas Gerais e do México, o Brasil poderá perder de 16,5 a 51 milhões de toneladas de produtos agrícolas se a situação continuar piorando. Isso equivale a um prejuízo de US$ 4,9 bilhões (R$ 16,6 bi) a US$ 14,6 bilhões (R$ 49 bi). O motivo disso é que as culturas que são polinizadas têm alto valor de mercado, representando 68% do total da agricultura brasileira. Segundo os cientistas, muito do impacto econômico causado pela falta de insetos o seria sofrido pela agricultura familiar, responsável por 74,4% do setor. Para chegar aos números, os pesquisadores desenharam dois cenários –um pessimista e um otimista– e estimaram qual seria o prejuízo para cada um dos 53 principais cultivos no País, de acordo com a dependência da polinização para a produtividade de cada plantação. Por exemplo, o café, o melão e a maçã são culturas que têm de moderada a alta dependência de polinizadores. Em última análise, a produção de sementes (como a soja) e de frutos (como a goiaba) depende desse serviço ecológico, que consiste no transporte das células reprodutivas masculinas, levando-as até as células femininas. Em algumas culturas, como na de maracujá, há apenas uma espécie que faz bem o trabalho (a abelha conhecida como mamangava). Sem ela – por causa de defensivos agrícolas ou baixa tolerância às mudanças climáticas, por exemplo –, a produtividade despenca. Em alguns casos, o vento, a água e até a autopolinização podem dar conta do recado. É o caso de três das principais culturas do País: cana-de-açúcar, milho e arroz. Mas isso não quer dizer que essas plantações estejam livres de "culpa" pelo que está acontecendo, segundo os autores do estudo, publicado na revista "Plos One". O principal fator para o declínio é a mudança de uso da terra, ou seja, a transformação de extensas áreas de floresta ou mata nativa em monocultura. Para acessar a íntegra dessa matéria clique aqui. Fonte: transcrição parcial de matéria de Gabriel Alves publicada ontem, 01/12, na página eletrônica do jornal Folha de São Paulo (www.folha.uol.com.br).