13/12/2016

As marcas que ficaram de 2016?

fonte: rede SBS dia a dia A Comunidade de Silvicultura preparou uma relação de tópicos para avaliar as marcas que o ano de 2016 deixaram no setor. O objetivo é obter a opinião dos silvicultores. Nada de identificar doenças, mas as dores, se existirem! E que essa reflexão sirva para mais discussões e alertas a todos que atuam e se interessam pelo setor. Como provocação a Comunidade de Silvicultura apresenta suas impressões para críticas e sugestões. Assim, talvez fique mais fácil identificar a dor: na cabeça ou no pé! Nível tecnológico dos trabalhos de campo: Melhorou – aumentou a preocupação em se fazer bem feito. Grandes áreas não significam qualidade, e muitas barbeiragens estão ficando expostas e criando constrangimentos. Os inevitáveis impactos na produção de madeira estão exigindo melhorias operacionais. Reduzir custo está deixando de ser obrigação e perdendo para competência. Distância para aquisição de madeira: Piorou – aumentou a distância. Há muita gente buscando madeira a grandes distâncias. Madeira a preço de repolho e vizinhos insatisfeitos. Um contraste incompreensível. Mas, com certeza, terá fim. E outros responderão pelas consequências! Produtividade média das florestas: Piorou – é o reflexo de plantios mal feitos – mato-competição, formiga, pragas, fogo, clones, etc. Está diminuindo a produtividade média e fica flagrante a necessidade de ajustes no processo de produção de madeira. A dúvida é quanto ao momento dos inevitáveis ajustes! Pode faltar madeira? É bom lembrar que o remédio é só, a longo prazo. Problemas com pragas e doenças: Piorou – aumentou significativamente os sinais de novos ataques. O setor pode ser surpreendido. Muita gente ainda não se deu conta dos riscos e da necessidade de medidas preventivas. Há especialistas que acreditam que o grande problema é desinformação. Muito mais que o interesse por medidas preventivas. Preço da madeira: Piorou – há muitos produtores desistindo de suas florestas e de seus programas de plantio. O valor da madeira está muito aquém do desejado e esperado. E o custo para se fazer a floresta cresceu. O produtor aprendeu a fazer conta, e está querendo sair do setor. Uma pena! Reflorestamentos para conservação e proteção: melhorou – aumentou o interesse e a necessidade está se evidenciando. Mas enquanto esses plantios não se transformarem em negócio, o assunto fica só na falação. Mas a falação quando aumenta pode provocar atitudes. Há bons exemplos a serem seguidos. Possibilidade de se usar a madeira como alternativa energética: melhorou – ficou evidente a necessidade de se encontrar alternativas para a energia fóssil. A silvicultura precisa desgarrar-se da dependência exclusiva dos grandes consumidores. Eucalipto para serra está se tornando uma realidade e a biomassa para energia está se tornando uma realidade. Até a atenção dos tradicionais consumidores está crescendo. Ótimo sinal, pois esse pessoal faz acontecer. Estruturação do Programa Nacional de Florestas Plantadas: piorou – sumiu. Ninguém sabe informar. É a falência institucional da silvicultura, em nível de Governo Federal. Fica o desafio: quando e como reorganizar? Ações governamentais para alavancar a atividade: piorou – não houve nenhum movimento. E a silvicultura precisa do Governo para algumas realizações. Talvez nem tanto de dinheiro, mas muito de políticas que mostrem as diretrizes de longo prazo, que integrem setores, infraestrutura, etc. Uma pena! Recursos governamentais para pesquisas florestais: estagnou – a pesquisa continua dependendo de recursos das grandes empresas para resolver seus problemas. Felizmente, o oxigênio do dia-a-dia está mantido. Avanços? Só por conta e exclusividade dos interessados. Há instituições e profissionais com muita capacidade a oferecer. Pesquisas com as espécies florestais nativas: Estagnou – continuamos pobres no conhecimento de nossa rica diversidade de espécies florestais nativas! Uma vergonha para a silvicultura brasileira. A quem reclamar? Quem vai reclamar? Há mais de 50 anos, a produtividade do eucalipto não passava de 20 metros cúbicos por hectare/ano, muito parecido com o que se consegue com algumas espécies nativas e quase sem pesquisa. Grandes investimentos em pesquisas e experimentações elevaram a produtividade das espécies exóticas comerciais. Um alento às pesquisas com nossas espécies nativas. Um desafio para a engenharia florestal do Brasil! Novos empreendimentos florestais: Estagnou - sumiram os novos empreendimentos e os investidores perderam um pouco do entusiasmo. O ambiente econômico e político atrapalhou, até o interesse das grandes TIMOS. Há muitas oportunidades de negócio e, com certeza, aos sinais de estabilização. Mato Grosso do Sul como polo de silvicultura: melhorou – continua crescendo. Muitas dúvidas e muitas demandas. Trabalhos maravilhosos ao lado de graves e inaceitáveis problemas! Processo de crescimento irreversível e com muitas necessidades logísticas. H á necessidade de se integrar interesses e de se enriquecer o embasamento tecnológico. Um grande desafio para os empreendimentos perenes. Áreas com plantios de pinus: Piorou – diminuiu, quase sumiu! Poderemos enfrentar problemas futuros. O produtor de floresta está muito insatisfeito com o preço da madeira. A longo prazo, não se vislumbram perspectivas. Faltam políticas públicas. Ainda está valendo a competência e a iniciativa de poucos e brilhantes profissionais; uso da madeira dos desbastes de pinus: piorou - a madeira está muito desvalorizada e o produtor desanimado está fugindo do setor. Foi um ano de debandada. Vem reflexo lá na frente! Surgimento de novas espécies para cultivo: melhorou – aumentou significativamente a quantidade de interessados em plantar espécies alternativas. Precisaria mais experimentações, mais divulgação e mais envolvimento de instituições de pesquisas e universidades. Bom para a silvicultura. Sinal inquestionável de que há gente interessada em fazer floresta e querem sair do eucalipto ou pinus. Serviços silviculturais: Melhorou – mais preocupações com nutrição, manejo do solo, mato-competição. Aumentou a preocupação em se fazer bem feito para não se perder produtividade. O silvicultor está sendo mais valorizado. Reduzir custo está deixando de ser uma obrigação. Está sendo muito valorizado o prestador de serviço, que tem capacidade de colaborar na decisão técnica. Está sumindo o simples cumpridor de cronograma, a custo mais baixo! A silvicultura se enriquece. Produção de mudas: Estagnou – diminuíram os produtores. Espera-se que os remanescentes sejam valorizados. Certificação florestal: Melhorou – continua sendo valorizada. Tem muita credibilidade e talvez possa ajudar ainda mais o desenvolvimento do setor. Representatividade institucional da silvicultura: Piorou – ninguém sabe informar o que está acontecendo. A silvicultura não pode continuar assim, sob pena de se perder oportunidades de negócio e a competitividade, no longo prazo. Legislação florestal: Estagnou – nenhuma mudança significativa. Nenhuma discussão. Os problemas velhos continuam sem solução e são esquecidos. Vem bomba, lá na frente. Situação dos programas de fomento florestal: Piorou – muitos descontentes. Muita falação. Muita desinformação. Isso precisa mudar para o bem e a credibilidade da silvicultura. Há bons exemplos a serem seguidos. É imprescindível para sustentabilidade da atividade. Há muitos, que apontam como o grande problema que se agravou no ano! Aumentou, de forma significativa, a quantidade de pequenos e médios produtores insatisfeitos com a atividade! Mercado externo: Estagnou – falta infraestrutura e logística para criar condições de maior competitividade ao País. Há oportunidades para crescimento e desenvolvimento. É essencial a atuação dos Governos Federal e Estadual. O desenvolvimento continua por conta, criatividade e iniciativa das empresas. Integração e colaboração entre empresas: Estagnou – aumentou a competição entre empresas. Uma disputa em que todos perdem e a silvicultura diminui a competitividade. Há muitos problemas que dependem da colaboração de todos. A silvicultura brasileira sempre dependeu das empresas: da integração entre elas e da integração com instituições de pesquisas. Reconhecimento social e ambiental da silvicultura: piorou – há movimentos que ressurgem por falta de comunicação. Há muita discussão de problemas resolvidos. Há trabalhos de grande importância sem a devida propaganda, em nível da sociedade urbana. Esse pessoal faz leis e continua distante da realidade social e ambiental do setor. Não se pode deixar de reconhecer o esforço gigantesco que muitas empresas fazem para valorizar o setor, mas não se pode acreditar que as encrencas estejam sendo equacionadas. Será que essa comunicação está mal direcionada? Aguardamos e agradecemos, desde já, os comentários. Nelson Barboza Leite (nbleite@uol.com.br), Engo Agro Silvicultor, Diretor das empresas Teca e Daplan – serviços florestais; consultor com atuação em todas as regiões brasileiras. Fonte: transcrição de matéria recebida por e-mail ontem, 10/01.